quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O Pintassilgo...

O PINTASSILGO

Contam os antigos que em certo dia a mamãe pintassilgo deixou seus filhotes no ninho e saiu em busca de comida para alimentá-los. Quando retornou, não mais os encontrou: alguém os havia levado. Desesperada, ela iniciou uma busca frenética pelas redondezas, perguntando a todos os seus vizinhos e passantes se eles saberiam informar alguma coisa sobre o paradeiro das pequeninas e indefesas aves que havia deixado em casa, supostamente em segurança. Tudo em vão.

Até que, uma semana depois, a coruja que morava na árvore fronteira à sua lhe disse que vira, no dia anterior, alguns filhotes de pintassilgo, e que provavelmente eles seriam os que ela estava procurando. “Onde você os viu?”, perguntou a mãe aflita. “Na casa do fazendeiro”, respondeu a coruja.

A mamãe pintassilgo voou imediatamente para a fazenda indicada. Chegando lá, procurou primeiramente no pátio, mas não encontrou o que queria. Depois na varanda da casa, também sem resultado. Desanimada, ela olhou para cima, e notou, então, que na janela mais larga do andar superior uma gaiola estava dependurada. Ao subir rapidamente até lá, descobriu, finalmente, que os seus filhotes estavam presos nela.

Ao verem a mãe os filhotes piaram desesperados, suplicando-lhe que os soltasse. Bem que ela tentou, coitada, mas seu bico e suas patas de nada valeram contra a grade de arame que impedia a saída dos prisioneiros. Mamãe pintassilgo tentou várias vezes, machucou-se durante a arrebatada tentativa de recuperar sua família, até que desistiu, convencida de que nada mais podia fazer. Por isso ela voltou para a floresta, deixando para trás um grito de tristeza.

Mas retornou no dia seguinte. Pousada na gaiola, ela observou seus filhotes sem conseguir esconder a tristeza que lhe turvava os olhos, e depois, com o coração oprimido pela dor que sentia, deu a cada um deles, através das grades, um pedaço da erva venenosa que levava no bico. Não demorou muito para que os pequenos passarinhos morressem, e a mamãe pintassilgo, olhando-os pela última vez, murmurou desconsolada: “É preferível morrer, do que perder a liberdade”.

Moral da Estória: A liberdade é o bem mais precioso que o ser humano tem.

Baseado em uma Fábula de Leonardo da Vinci - Fernando Kitzinger Dannemann

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domingo, 26 de setembro de 2010

A Rede de Pesca...

A REDE DE PESCA

Como de costume, a rede de pesca, ao ser retirada da água pelos pescadores, chegou ao barco cheia de peixes. Centenas deles, de todas as espécies e tamanhos, foram recolhidos e amontoados em grandes cestas, a maioria arfando desesperada em busca do ar que lhes faltava, uns agitando rabos e barbatanas talvez para mostrar o inconformismo de quem sabe que se vai antes da hora, enquanto outros, mais renitentes, reuniam as forças derradeiras e arriscavam pequenos saltos, na vã esperança de, num deles, reencontrar a vida cujo brilho aos poucos ia se apagando em seus olhos.

Mais adiante, no fundo do rio, os sobreviventes do cardume apanhado sem defesa se reuniram e passaram a discutir o perigo que enfrentavam. Disse um deles:

- Nosso problema é de vida ou morte. Todos os dias os pescadores lançam sua rede em pontos diferentes do rio, e de cada vez muitos companheiros nossos são apanhados por ela e levados embora, para alimentar os humanos. A continuar desse jeito, em pouco tempo não sobrará nenhum de nós para contar a história. Precisamos pensar em alguma coisa para acabar com esse flagelo.

- E o que poderemos fazer? - indagou uma traíra que morava nas pedras do lugar, e cujo marido e filhos tinham sido levados na última redada.

- Destruir a rede! – foi a resposta unânime e imediata dos que participavam da assembléia.

A novidade correu o rio como um relâmpago, e em pouco tempo, da nascente à foz, todos os que nele moravam tomaram conhecimento do que precisava ser feito. No dia seguinte, numa enseada suficientemente espaçosa para receber os milhares de peixes que para ali acorreram, um experiente dourado que por duas vezes conseguira escapar da morte certa porque rompera as malhas da rede com os dentes, foi escolhido comandante da revolta. E ele então detalhou o seu plano:

- Os piaus ficarão de vigia, para descobrir em que lugar os pescadores nos atacarão. Assim que soubermos, entraremos em ação. A rede é grande, vai de um lado a outro do rio, e tem chumbos presos embaixo, para que afunde. Por isso, vamos nos dividir em dois grupos: um suspenderá os pesos, levando-os à superfície, e outro segurará as malhas por cima, sem soltá-las. Ao mesmo tempo, as piranhas cortarão com os dentes a corda que mantêm a rede esticada entre as margens. Feito isso, deixaremos que ela afunde e se perca para sempre.

Não passou muito tempo e a esperada notícia chegou: o apetrecho dos pescadores havia sido armado não muito distante, pouco menos de meio quilometro rio acima. A informação provocou um alvoroço generalizado, mas antes que os peixes partissem como um exército gigantesco em busca de seu objetivo, o dourado tratou de aconselhá-los:

- Tenham cuidado com a correnteza, porque caso alguém se distraia, poderá ser arrastado por ela para dentro da rede. Sigam sem pressa, usem bem as nadadeiras, e principalmente, que cada um cumpra a sua missão.

E foi assim que os peixes partiram para o ataque. Mas quando avistaram a rede esticada à sua frente, pronta para cumprir sua missão sinistra, todos foram dominados por uma fúria incontrolável. Por isso, mesmo depois de terem cumprido as determinações do dourado, não largaram mais a inimiga, continuando a atacá-la com a única arma de que dispunham: os dentes. E por isso morderam-na e cortaram-na tanto quanto puderam, uma, duas, três e mais vezes, até transformá-la em um monte de restos que as águas levavam para longe, bem longe, não deixando ali nenhum sinal de seu paradeiro.

Finalmente o rio estava livre do perigo que o ameaçava.


Moral da Estória: O povo que precisa de um salvador não merece ser salvo.

Baseado em uma Fábula de Leonardo da Vinci - Fernando Kitzinger Dannemann

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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Minha Primeira Notícia no OCIOSO

Minha 1ª Notícia no OCIOSO

Agradeço a todos que me prestigiaram e fizeram com que a minha postagem O Casamento do Sol com a Lua fosse parar no OCIOSO.

Essa foi a melhor notícia do dia.

Grande Abraço!


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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O Casamento do Sol com a Lua

O CASAMENTO DO SOL COM A LUA

Houve um tempo em que o Sol se apaixonou pela Lua e resolveu casar-se com ela. Essa notícia chegou aos ouvidos dos humanos e estes, diante da novidade, fizeram o que fazem até hoje: formaram dois grupos, o dos discordantes e o dos aceitantes, que passaram a discutir os prós e contras daquela união celestial. E como o desacordo entre eles crescia cada vez mais, ameaçando transformar-se em enorme confusão, o deus Júpiter resolveu ouvir as alegações que ambos apresentavam a título de justificativa para seus respectivos comportamentos.

Os favoráveis ao casamento alegaram que como cada um tinha o direito de escolher o seu próprio destino, o Sol e a Lua podiam fazer o que bem entendessem, sem que ninguém pudesse alimentar a pretensão de interferir no que eles tinham acertado de comum acordo. Afinal de contas, a lei era divina, e contra ela não cabia, portanto, qualquer contestação humana ou mesmo extra-terrestre.

Os desfavoráveis justificaram seu posicionamento com o argumento de que os casamentos, em sua imensa maioria, redundam em filhos. E se assim era, quem poderia precisar quantos pequeninos sóis seriam colocados no espaço a partir do momento em que Sol e Lua se juntassem? E isso acontecendo, como ficaria a Terra caso a luz e o calor solar fossem multiplicados por um, dois, três, quatro, ou sabia-se lá quando descendentes do astro-rei, todos eles dardejando sobre os seres humanos, vegetais e animais, os seus raios abrasadores? A vida se tornaria impossível, e o mundo se transformaria em um deserto!...

Júpiter entendeu que a razão estava com este último grupo, e por isso decidiu que Sol e Lua não poderiam se casar. E mais, que os dois deveriam se manter a prudente distância um do outro, ordenando-lhes: você, Lua, iluminará a noite, enquanto o Sol fará o mesmo durante o dia. Você Lua, encantará os que se amam, e sua visão servirá de inspiração aos poetas e trovadores; ao passo que o Sol fornecerá o calor tão necessário â Terra, razão pela qual sua simples presença no firmamento fará com que as pessoas se tornem mais alegres e felizes.


Moral da Estória: Nenhuma decisão é aceitável caso desconsidere o direito e bem estar da maioria das pessoas atingidas por ela.

Baseado em uma Fábula de Esopo - Fernando Kitzinger Dannemann


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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Um Cowboy do Asfalto Fora da Lei

UM COWBOY DO ASFALTO FORA DA LEI

Para ajudar o meu amigo Dieguito, hoje deixarei de ser um cowboy do asfalto para ser um cowboy fora da lei.
 

Vou juntar-me a ele para investigarmos melhor essa turma do Gargamel.

 


Quando Deus criou o mundo deixou tudo combinado...
Fez canário pra mato fino e capoeira pra bicho do mato...
Fez perfume pras muié bunita e cachaça pros homi apaixonado!
Pros abeia que querem copiar o estilo de ser di nóis cowboy, eu mando mais ou menos assim...
Quem não sabe fazer verso que não se meta na folia, pois meu avô sempre dizia que us rato nunca faiz festa no lugar que o gato mia!
Alguns Cowboys fazem o que outros homens apenas sonham!

Essa é procê amigo Dieguito


Onde tem carniça, tem urubu. Onde tem buraco, tem tatu. Onde tem mulher bonita, eu pulo que nem canguru.

Conheci uma morena pro estado do Paraná, pensei que ia ser fácil seu coração a laçar, a noite estava quente e eu na solidão, morena só de mini saia balançou meu coração, fui chegando de mansinho para dar boa impressão. Joguei a conversa nela de xaveco de garanhão. Tentei dar um beijo nela e saiu a confusão. Me chamou de atrevido e já foi me metendo a mão.




Mamãe, não quero ser prefeito
Pode ser que eu seja eleito
E alguém pode querer me assassinar
Eu não preciso ler jornais
Mentir sozinho eu sou capaz
Não quero ir de encontro ao azar
Papai não quero provar nada
Eu já servi à Pátria amada
E todo mundo cobra minha luz
Oh, coitado, foi tão cedo
Deus me livre, eu tenho medo
Morrer dependurado numa cruz
Eu não sou besta pra tirar onda de herói
Sou vacinado, eu sou cowboy
Cowboy fora da lei
Durango Kid só existe no gibi
E quem quiser que fique aqui
Entrar pra historia é com vocês!

E pra ficar ainda melhor, hoje não vou colocar os créditos... kkkkkkkkkkkk

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