sábado, 21 de agosto de 2010

O Camponês e os Cães...

O CAMPONÊS E OS CÃES

Naquele ano a neve caiu como há muito tempo não acontecia. Durante dias e dias ela desceu do céu ora com calma, ora frenética, mas sempre ininterrupta, sem dar descanso a quem quer que seja, disposta, ao que parece, a soterrar com sua brancura gelada o que houvesse sobre a terra. E assim, tudo foi desaparecendo sob o alvo manto que os flocos de vapor d’água congelada iam tecendo caprichosamente sobre casas, árvores, pedras e caminhos, isolando as pessoas que moravam em lugares de acesso mais difícil.

Uma delas era o camponês cuja propriedade ficava em um pequeno vale, no sopé da montanha coberta de gelo. Sem ter como sair de casa, ele se acomodou como pode em sua cabana de madeira, mas como fora imprevidente e não se abastecera dos mantimentos de que precisaria para enfrentar o inverno, logo a fome começou a lhe incomodar, e por isso ele sacrificou primeiramente as poucas galinhas que possuía. Depois foi a vez do carneiro, logo em seguida da cabra, e quando chegou a vez do cavalo, os dois cães que vigiavam a fazendola se entreolharam e um disse para o outro:

- Vamos dar o fora enquanto é tempo. Se nosso dono não hesitou em matar o cavalo de que tanto precisava, é certo que nós também não seremos poupados.


Moral da Estória: Cuidado com os que não hesitam em fazer mal ao próximo para resolver os seus problemas.

Baseado no livro Fábulas de Esopo - Fernando Kitzinger Dannemann

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