sábado, 1 de outubro de 2011

A Borboleta e a Rosa

A Borboleta e a Rosa

Certa vez uma borboleta se apaixonou perdidamente pela rosa mais bonita que havia no jardim. A flor ficou comovida quando soube que era amada de forma tão intensa por aquele inseto garboso que ostentava em suas asas lindos desenhos multicoloridos, e por isso, quando ele a procurou, ela concordou de imediato com o início do namoro. Acontece que depois de algum tempo de noivado, onde não faltaram juras e promessas de fidelidade e amor eterno, a borboleta se afastou alegando ter compromissos inadiáveis, só retornando após a passagem de um período relativamente longo. Ao vê-la chegar, a rosa, chorosa, recriminou-a entre soluços:

- É a isso que você chama de fidelidade? Já perdi a conta dos dias que se passaram desde a sua partida, e além do mais, também fiquei sabendo que você vive de namoro e beijos com qualquer tipo de flor que encontre pela frente. Isso é uma falta de respeito muito grande, e por isso me sinto profundamente magoada com esse seu procedimento

Ao ouvir a reclamação, a borboleta riu e respondeu:

- Você está me acusando de infidelidade? É brincadeira! Pois saiba que eu a vi primeiramente sendo beijada pelo vento, e logo depois, dando o maior espetáculo com as abelhas que passaram por aqui. Isso sem falar nos besourinhos que a procuravam, e para os quais você dava a maior trela. E depois dessa farra toda, ainda sou acusado de infidelidade. Era só o que me faltava!...

Moral da Estória: Só quem é fiel pode esperar fidelidade dos outros.  

Baseado em uma Fábula de Esopo - Fernando Kitzinger Dannemann

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terça-feira, 17 de maio de 2011

O Lobo e o Cordeiro

O Lobo e o Cordeiro

O cordeiro bebia água no córrego que corria em um trecho de terreno inclinado, quando avistou um lobo que fazia a mesma coisa um pouco mais acima de onde ele estava. O pequeno animal bem que tentou se esconder atrás de uma moita, mas antes que pudesse fazê-lo a fera também o avistou, e como ela estava cansada e irritada com a fome que fazia seu estômago doer, foi logo perguntando com cara de poucos amigos:

- Como é que você se atreve a sujar a água que estou bebendo?

E o cordeiro respondeu:

- Senhor lobo, eu não estou sujando nada, porque como a água está vindo daí para cá, não é possível que isso aconteça.

Mas o lobo retrucou:

- Isso não interessa, porque você vai ter que me explicar por que andou falando mal de mim no ano passado.

- Mas senhor lobo, no ano passado eu ainda não havia nascido.

- Se não foi você, então foi seu irmão.

- Me perdoe, senhor lobo, mas eu não tenho irmão, sou filho único.

- Se não foi você, então foi algum conhecido seu, algum outro cordeiro, o cachorro que guarda o rebanho, ou até mesmo o pastor. O fato é que eu fui ofendido e por isso preciso me vingar.

E então o lobo avançou sobre o cordeiro indefeso, agarrou-o com os dentes e foi embora à procura de um lugar tranqüilo onde pudesse comer a sua presa.

Moral da Estória: Infelizmente, a razão do mais forte é a que sempre prevalece.  

Baseado em uma Fábula de La Fontaine - Fernando Kitzinger Dannemann

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domingo, 9 de janeiro de 2011

O Gato e o Rato

O Gato e o Rato

Dos animais que povoavam a floresta, quatro deles costumavam abrigar-se nos ocos do tronco meio apodrecido de uma velha árvore. Um deles era um gato do mato, ardiloso, ágil e traiçoeiro; outro, um ratinho de dentes afiados e apetite insaciável; o terceiro, uma doninha de corpo esguio e alongado; e finalmente, uma solitária coruja de olhos tristes.

Certa noite um caçador valeu-se da escuridão para enrolar uma rede de malha forte em torno do tronco esburacado, esperando, assim, capturar algum bicho que porventura ali se abrigasse. Por isso, quando os primeiros sinais da manhã surgiram no céu o gato tentou sair do seu esconderijo, mas não conseguiu fazê-lo porque a rede o impediu. Ele bem que forçou passagem, uma, duas, várias vezes, mas sem resultado, e por fim, sentindo-se derrotado, começou a miar desconsolado, o que atraiu a atenção do rato. Este, ao perceber o que se passava vibrou de alegria, e tão contente ficou que se aproximou para apreciar mais de perto o infortúnio do seu inimigo. Ao vê-lo chegar, disse-lhe o felino aprisionado:

- Meu amiguinho, tua presença me deixa feliz porque sei que teu coração bondoso certamente fará com que me libertes dessa armadilha em que tolamente caí. Do mesmo modo como por diversas vezes poupei a tua vida, o que agradeço aos deuses por terem me inspirado a fazer, sei que agora me pagarás de modo semelhante, roendo essas cordas e me devolvendo a liberdade.

- E o que ganharei com isso? - perguntou-lhe o rato.

- O meu reconhecimento - retrucou o gato. - Por isso firmaremos uma aliança duradoura que não só te poupará das minhas garras, como também me fará não dar tréguas à doninha e à coruja que aqui também se escondem, pois tanto um como a outra não hesitariam em transformar-te em refeição.

- O que pensas que sou? Um otário? - replicou o pequeno roedor. E subiu pelo tronco carcomido. Mas logo deu de frente com a doninha ainda adormecida, o que foi a sua salvação. Assustado, o ratinho afastou-se dali rapidamente, porém percebeu a tempo que caminhava em direção à coruja solitária, cujos olhos tristes o encaravam com más intenções. Então ele retornou depressa ao refúgio do gato e pôs-se a roer os nós da rede que o prendiam, um após outro, até que o felino conseguiu safar-se. Nesse instante os dois perceberam que o caçador se aproximava da velha árvore, e por isso trataram de fugir imediatamente, mas em direções opostas.

Dias depois, ao caminhar pela floresta o gato percebeu que o ratinho o vigiava de longe. Esperto como era, ele convidou:

- Venha cá, amigo querido, venha cá para que eu possa abraçar-te com o carinho e respeito que mereces, pois ainda não tirei da memória o teu gesto magnânimo. Abaixo de Deus, é a ti que devo a minha vida, e por isso me sinto ofendido quando percebo que me tratas como inimigo mortal. Vinde a mim, prezado irmão!...

E o rato, mantendo distância conveniente:

- Por acaso acreditas que eu possa esquecer-me do teu instinto de predador e da tua feroz propensão? Por acaso imaginas que eu admita ser possível um gato demonstrar gratidão em virtude de um tratado verbal feito em momento de aflição?

E dizendo isso mergulhou no buraco aberto ao pé de uma árvore e o gato do mato não o encontrou, apesar de procurá-lo por algum tempo.

Moral da Estória: Nunca confie em quem tem fama de falso e mentiroso.  

Baseado em uma Fábula de La Fontaine - Fernando Kitzinger Dannemann

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